sábado, 18 de abril de 2009

Os últimos dias que passaram - os quais nem sequer me dei ao trabalho de aqui relatar - foram do mais normal que pode existir. Escola - Casa.
É verdade. Comecei as aulas de novo. Até foi uma semana tranquila.
Devo confessar: quando cheguei à escola na Terça-feira, estava um tanto ou quanto nervosa - Ia revê-lo e não sabia bem o que esperar. Sentei-me num banco a desfrutar da brisa gelada que corria e que suavemente me arranhava a face. Esperei ver algum movimento. Cerca de quinze minutos após a minha chegada, ele apareceu. Cumprimentou-me como se cumprimenta um amigo e sentou-se ao meu lado. Falámos um pouco, mais uma vez de coisas banais. Chegámos mesmo a falar do entristecido tempo como se fosse um assunto realmente importante e de extremo interesse.
O resto da semana assim se foi mantendo.
Ontem notei-o diferente. Estava mais "solto" - "Solto" e próximo demais. Continua a ter prazer em riscar as minhas mãos com a sua bela caneta preta.
Vendo bem, a única alteração no nosso relacionamento são a ausência de beijos na boca e a falta de calorosos e protectores abraços - Ainda consigo sentir o quente dos seus braços envoltos nos meus ombros.
Não sei, de todo, se isto será bom.
Durante a aula de Área de Projecto, andei com um questionário infantil nas mãos com aquelas questões simples como "Qual a tua cor preferida?" mas que não deixam de ser essenciais quando se quer conhecer alguém. - Fiz-lhe umas quantas perguntas. Uma delas era "Qual o sentimento e/ou emoção que mais gostas de sentir?" - "Paixão" - Diz-me.
Oh! Isso explica muita coisa...
Não sei bem como, enquanto conversávamos - Não me lembro sequer sobre o que era - acabou por ficar decidido que lhe faria companhia ao almoço como sempre fizera todas as Sexta-feiras, desde o início do 12º ano.
Senti-me mal, como se estivesse ali apenas por hábito, para não o deixar sozinho. Queria ir embora mas qualquer coisa estava a fazer com que eu me mantivesse ali. Faltavam vinte minutos para a sua aula começar e decidi que estava na hora de pôr o corpo a caminho de casa - Apenas o corpo. A minha mente não o tem acompanhado ultimamente. Deixo-a para trás, esquecida, algumas vezes. Acho que a estou a negligenciar e ainda vou sentir o seu descontentamento.
Não suportava mais o ambiente: a falta de diálogo e o constante som dos seus dedos a tocarem as teclas do telemóvel.
Fez-me companhia até meio do passeio.
"Então, bom fim de semana" - disse-lhe.
Sorrindo, desejou-me o mesmo - "Bom fim de semana"
Dei cerca de dois passos quando ele, virando-se para trás, diz: "Continuas bloqueada"
Detive-me. Sabia o que ele pretendia - Estava a provocar-me. A testar-me.
Mostrei-me indiferente, ainda que os meus olhos me denunciassem.
"É como quiseres" - retorqui.
Perguntou-me se era meu desejo ser desbloqueada. Segundo ele "Tenho umas coisas lá [possivelmente no nick, penso] que secalhar não queres ver..."
Ah! Era aí que ele queria chegar. Estava desejoso de o dizer.
Petrefiquei. Qualquer brilho que tivesse no meu olhar foi apagado por completo. Fixei um ponto que não os seus olhos. Não podia correr o risco de ele perceber que aquilo tinha surtido efeito em mim. No entanto, desta vez, foi a minha voz quem me traíu quando o meu "é-me indiferente" soou um tanto ou quanto robotizado e a força da voz me escapou, tendo saído dos meus lábios algo que se assemelhou mais a um suspiro que ao prenunciamento de uma phrase.
"Ficas bem?"
"Fico. Bom fim de semana" - Soei mais fria do que desejava.
"Não precisas de ir já embora" - Sorriu quando o disse e sou capaz de jurar que vi os seus olhos brilharem com uma mistura de gozo e prazer.
"Não quero que comece a chover de novo. Adeus" - Nem eu sei se me referia às nuvens que se encontravam sobre nós ou se ao facto de não conseguir controlar a água que estava prestes a surgir nos meus olhos. A verdade é que não seria por já não me manter ali que as nuvens seriam impedidas de se retorcerem violentamente.
"Então, vou-te desbloquear!" - disse num tom de voz elevado uma vez que eu já me encontrava um pouco distante de si.
"Como queiras" - disse-lhe ao acenar um adeus sem nunca me voltar para trás.

Acabei por lhe mandar uma mensagem a dizer que não me desbloqueasse. Não quero ter mais um contacto dos "Olá, tudo bem? O que fazes?" - Ver-me-ia obrigada a bloqueá-lo eu.

Estou aliviada.


A música de hoje: Dan Gibson - Heart of the Forest

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